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21/09/2006 - GRITO DA INDÚSTRIA
 

Robson Braga de Andrade - Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais Sistema Fiemg

Minas Gerais tem, entre suas mais caras tradições, o pioneirismo na indústria têxtil e de confecções cujos primeiros registros, entre nós, datam do começo da segunda metade do século XIX. Desde então a economia mineira consolidou-se como um dos principais pólos deste setor no País, posição que, para nosso orgulho, mantém e mostra fôlego para expandir-se ainda mais, desde que mantidas as condições normais de competitividade entre as empresas – no País e mesmo no mundo da economia globalizada. É aqui, no entanto, que emergem fundadas preocupações dos empresários que atuam no setor, sufocados pela crescente invasão de produtos chineses no mercado brasileiro e à qual se soma o chamado “Custo Brasil”: carga tributária ao redor de 40% do Produto Interno Bruto (PIB); taxas de juros recordes no mundo; escassez de crédito e infra-estrutura de logística sucateada; câmbio sobrevalorizado; legislação trabalhista ultrapassada e importações ilegais.

Na verdade, a indústria têxtil e de confecção vem sendo submetida a condições de competitividade extremamente adversas ao longo da última década, com conseqüências já visíveis nas estatísticas dos órgãos oficiais que medem o desempenho do setor, confirmadas por estudos realizados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais: no comércio internacional, após apresentar resultados positivos por cinco anos consecutivos e dobrar suas exportações no período, o setor deverá fechar este ano com déficit em sua balança comercial.

Neste contexto, o reconhecimento, pelo governo brasileiro, da República Popular da China como economia de mercado configura-se como um grave desastre na exata medida em que impossibilita a aplicação de instrumentos de defesa comercial baseado em dados obtidos de terceiros países e obriga as empresas brasileiras a buscarem dados no nebuloso sistema contábil chinês. Se em condições normais já é extremamente penosa a análise de dados de preços e custos em países ocidentais, o que dizer de estruturas produtivas com forte viés estatal, onde as transferências de recursos entre empresas e governo ocorrem de maneira pouco transparente. Ou seja, na prática a investigação de dumping se torna impossível de ser realizada.

O que é evidente, e preocupante, é a abrupta e expressiva queda nas exportações brasileiras e o conseqüente aumento das importações. Na comparação entre o primeiro semestre de 2003 e o primeiro semestre de 2006, as importações brasileiras de produtos chineses saltaram de US$ 902 milhões para US$ 3,493 bilhões, com crescimento médio de 287%. Em alguns setores a situação é ainda mais grave. A variação das importações do setor de Fiação e Tecelagem foi de 302% e o mesmo percentual é registrado para as importações do setor de confecções. É uma relação predatória para a indústria brasileira e que, indo além do setor têxtil e de confecções, já atinge também a indústria de calçados que registrou aumento de 188% em suas importações, e o setor de eletroeletrônico, com percentual de 423%.

O cenário revelado por estes números mostra uma realidade inaceitável e que exige ação objetiva do governo, sob pena de condenar à agonia uma indústria forte e operosa, que investiu US$ 1 bilhão ao ano na última década, responsável pelo sustento de mais de 7 milhões de pessoas através da geração de 1,65 milhão de empregos no País – dos quais 260 mil já foram eliminados ao longo dos últimos cinco anos.

Foi para protestar contra essa situação que empresários e trabalhadores pararam as fábricas têxteis e de confecção no Brasil no início deste mês – em defesa do direito de trabalhar, produzir e gerar renda e emprego. Em Minas Gerais, 4 mil pessoas – empresários e trabalhadores da indústria têxtil e de confecção -se reuniram para uma passeata e leitura de um manifesto de protesto na praça da Assembléia Legislativa. A mobilização, de caráter nacional e nascida da inspiração de lideranças empresariais mineiras do setor têxtil e de confecção, tem por objetivo chamar a atenção da sociedade civil e também do poder público.

É movimento que a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais apóia, endossa e subscreve, cumprindo a sua missão de representar as empresas mineiras e defender os seus interesses mais legítimos. Através do seu Centro Internacional de Negócios, a Fiemg está engajada na criação de instrumento de defesa comercial diante das distorções que marcam as relações comerciais com a China. É essencial, no entanto, que o governo federal esteja atento, aparelhado e pronto para desencadear investigações sobre possíveis importações danosas e que representem ameaças a muitos setores industriais, de forma a evitar prejuízos causados por um acordo intempestivamente assinado.

A indústria brasileira, incluindo a têxtil e a de confecção, é moderna e competitiva, mas vem tendo o seu desenvolvimento ameaçado por fatores externos às linhas de produção. Por isso mesmo, não reivindica privilégios e nem proteção artificial – mas exige condições de competitividade pautadas, exclusivamente na competência e na qualidade. Exige, enfim, o direito de gerar renda e emprego.

Publicado no Jornal Estado de Minas, em 21 de setembro de 2006

Fonte: Assessoria de Comunicação Corporativa da FIEMG
Gerência de Relações Públicas

 
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