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13/03/2004 - Índia amplia setor têxtil e parcerias podem surgir

O governo indiano está investindo US$ 10 bilhões na modernização da indústria têxtil do país. Esse investimento poderá levar as exportações dos atuais US$ 13,5 bilhões para US$ 50 bilhões em dez anos. Para o coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria de Têxteis (Abit), Domingos Mosca, a decisão do governo indiano não é uma ameaça para o setor têxtil brasileiro. Segundo ele, a Índia está se preparando para o acirramento da competição com a China, após o fim das barreiras que impõem cotas de venda aos países desenvolvidos que deverá ocorrer integralmente em 31 de dezembro deste ano.

O coordenador lembra que a economia brasileira já está aberta a novos mercados desde o governo Collor e até agora nenhum país invadiu o mercado têxtil interno. 'Esses investimentos não irão mudar o quadro brasileiro, nossa indústria de têxteis é grande e competitiva', enfatiza.

Mosca afirma que o comércio entre Brasil e Índia ainda é muito modesto. O país exporta cerca de US$ 4,5 milhões ao ano para a Índia, enquanto que as importações chegam a US$ 10 milhões. Ele afirma que a economia brasileira é mais sofisticada que a indiana e a produção têxtil é apenas um dos setores de destaque. Para os indianos, a indústria têxtil é vital e chega a ter um ministério exclusivo para a área.

Ragvinder Rekhi, diretor da International Alliance, empresa de estruturação de negócios com foco nas relações Índia-Brasil, vê esse investimento de US$ 10 bilhões com bons olhos. Como o Brasil converte fio recebido da Índia em tecido, o aprimoramento do setor de vestuário pode aumentar a demanda indiana por tecidos fabricados por empresas brasileiras. 'Isso poderia ser uma oportunidade para a indústria brasileira fazer um acordo para a conversão de fio indiano em tecido e, quem sabe, exportá-lo de volta para a Índia'.

A vantagem de fazer negócios com a Índia está no fato de que as relações econômicas entre esse país e o Brasil ocorrem de forma mais equilibrada, ao contrário das negociações com a União Européia ou com os Estados Unidos, em que o poder de barganha dos países emergentes é sempre menor, diz o empresário. Porém, lembra que para ter sucesso em um mercado tão diferente como o indiano é preciso contar com parceiros locais que facilitem a penetração das empresas e indiquem os caminhos a serem seguidos.

Dentre as áreas que podem ser exploradas pelos brasileiros na Índia destacam-se o setor de construção de estradas e controle de pedágios, uma vez que a malha rodoviária é precária e precisa ser modernizada. As indústrias de cosméticos, cerâmica, móveis e materiais de construção para acabamentos também teriam um bom mercado na Índia. No entanto, Rekhi diz que não basta levar os produtos brasileiros para serem vendidos aos indianos. É preciso utilizar o know-how e a experiência do parceiro e fazer as modificações necessárias, pois as necessidades do consumidor lá são outras. 'O segredo está em preservar os atributos da sua marca sem se prender apenas nos produtos, ou seja, levar o conhecimento da fabricação e adaptá-lo a novas demandas'.

Fonte: Abit - NOticias
Fonte: Valor On Line - 19/03/2004

 
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